Drex é o real digital emitido e regulado pelo Banco Central, uma moeda centralizada e rastreável com capacidades de programabilidade (contratos inteligentes), prevista para operar inicialmente em infraestrutura bancária e de crédito; traz eficiência na liquidação e risco de maior vigilância sobre transações e privacidade, dependendo de regras e salvaguardas legais.
Drex pode mudar a forma como pagamos, com rastreabilidade total e contratos automáticos. Você já pensou no ganho de eficiência — e na perda de privacidade? Vou explicar usos práticos, riscos e o que vem pela frente.
O que é o Drex e como difere do real e do Bitcoin
Drex é a versão digital do real emitida e validada pelo Banco Central. Diferente do dinheiro físico, ele existe como registros eletrônicos e pode ser programado para executar regras automáticas. Não é uma moeda privada: é controlada pela autoridade monetária do país.
Emissão e controle
O Drex é emitido por uma entidade central. Isso significa que o Banco Central cria, regula e autoriza as transações. No caso do Bitcoin, qualquer pessoa pode minerar ou validar blocos em uma rede pública e descentralizada. Já o real em papel é criado pelo governo, mas circula fisicamente sem registro eletrônico permanente.
Conversibilidade e valor
Cada unidade do Drex tem valor atrelado ao real (1 Drex ≈ R$1). Ou seja, não se trata de uma criptomoeda volátil como o Bitcoin. O Drex busca estabilidade para ser meio de pagamento corrente, enquanto o Bitcoin é frequentemente usado como reserva de valor ou ativo especulativo.
Tecnologia e registro
O Drex pode usar tecnologias de registro distribuído (DLT) ou sistemas centralizados. Muitas propostas envolvem redes permissionadas, onde participantes autorizados validam operações. O Bitcoin opera em uma blockchain pública e imutável, acessível a qualquer usuário sem permissão.
Privacidade e rastreabilidade
Uma diferença crucial é a rastreabilidade. Transações em Drex tendem a deixar registros detalhados, permitindo auditoria e acompanhamento. O dinheiro em espécie não gera esse rastro. O Bitcoin registra transações publicamente, mas o vínculo entre endereço e identidade nem sempre é direto; ainda assim, é mais difícil remover registros.
Programabilidade e casos de uso
O Drex pode incorporar contratos inteligentes simples, automatizando ações quando condições forem cumpridas — por exemplo, liberar documentos após pagamento. Isso facilita serviços como transferências condicionais, cobranças automáticas e liquidação instantânea entre instituições. No Bitcoin, a programabilidade é mais limitada e pouco prática para contratos complexos.
Impacto operacional
Para bancos e fintechs, o Drex pode reduzir custos de liquidação e reconciliar saldos com mais rapidez. Para consumidores, muitas funções do Pix continuam suficientes hoje. O Drex atua mais como infraestrutura de mercado e meio técnico para operações financeiras em larga escala.
Principais diferenças em tópicos
- Emissor: Drex — Banco Central; Bitcoin — rede descentralizada; Real — Estado, em espécie.
- Rastreamento: Drex — rastreável; Real em espécie — anônimo; Bitcoin — transações públicas, identificação indireta.
- Estabilidade: Drex — atrelado ao real; Bitcoin — volátil.
- Programabilidade: Drex — projetado para contratos e regras; Bitcoin — limitada.
- Adoção inicial: Drex — foco em infraestrutura e bancos; Bitcoin — usuários e exchanges; Real — circulação ampla em espécie.
Esses pontos explicam por que o Drex é visto como uma evolução do dinheiro oficial, mas com implicações diferentes para privacidade, controle e funcionamento do mercado.
Rastreamento e privacidade: o que muda na prática

Drex registra cada movimentação de forma eletrônica, criando um histórico que pode ser seguido por quem tiver autorização. Isso muda a relação entre dinheiro e privacidade: operações deixam um rastro permanente, diferente do pagamento em espécie.
Rastreabilidade na prática
Com o Drex, cada unidade pode ter identificação ou selo que mostra por onde passou. Em compras, pagamentos e transferências, há registro detalhado de remetente, destinatário, horário e contexto. Isso facilita auditoria, combate a fraudes e conferência contábil.
Comparação rápida
O dinheiro em espécie não gera registros; o Pix e transferências bancárias já deixam rastros, mas ainda existem formas de anonimato via cédulas. O Drex amplia esse rastreio ao nível de transação digital contínua, com potencial para ligações diretas entre identidade e operação.
Privacidade e salvaguardas técnicas
Existem soluções técnicas para proteger dados, como pseudonimização, criptografia e mecanismos de privacidade embutidos (por exemplo, provas de conhecimento zero). Algumas propostas europeias buscam preservar anonimato em pagamentos de baixo valor; outras adotam redes permissionadas com controles de acesso.
Quem pode acessar os registros?
Leis como a LGPD e normas sobre sigilo bancário limitam o acesso, exigindo justificativa legal. Ainda assim, ordens judiciais, investigações fiscais ou decisões administrativas podem permitir consultas. Na prática, isso significa que autoridades com base legal conseguem mapear transações quando necessário.
Impacto para cidadãos e empresas
Consumidores poderão ter menos privacidade em gastos cotidianos. Comerciantes e instituições terão dados mais ricos para conciliação e prevenção de fraudes. Pagamentos condicionais e retenções automáticas ficam tecnicamente viáveis e mais fáceis de auditar.
Riscos práticos
Risco de vigilância excessiva, uso político de controles financeiros e exposição de dados sensíveis em caso de falhas de segurança são preocupações reais. Também há chance de abuso por atores com poder para consultar registros sem garantias processuais claras.
Boas práticas recomendadas
- Exigir transparência das empresas que ofertam carteiras e serviços Drex.
- Verificar políticas de privacidade e limites de retenção de dados.
- Incentivar mecanismos legais que restrinjam acessos sem decisão judicial.
- Preferir provedores que adotem criptografia forte e medidas de minimização de dados.
O que muda no dia a dia
Você pode ver recibos digitais mais detalhados, menos uso de dinheiro físico e decisões automáticas vinculadas ao pagamento. Ao mesmo tempo, controlar quem acessa essas informações será um tema central para usuários, empresas e legisladores.
Contratos inteligentes: exemplos que podem agilizar o dia a dia
Contratos inteligentes são códigos que executam ações automaticamente quando condições predefinidas ocorrem. Eles podem reduzir burocracia e acelerar operações do dia a dia com mais segurança e menos intermediários.
Compra e venda de veículos
O pagamento pela compra pode liberar automaticamente a transferência do documento e a chave digital do veículo. Em uma venda entre particulares, o contrato verifica o recebimento e aciona o registro no sistema do DETRAN ou no cartório digital autorizado.
Marketplaces e vendas entre pessoas
Em plataformas como OLX ou Mercado Livre, um contrato atuaria como escrow: o valor fica retido e só é liberado quando o comprador confirma o recebimento ou quando o rastreamento confirma a entrega.
Aluguel e liberação de acesso
No aluguel, o pagamento do aluguel pode autorizar a abertura de fechaduras digitais, liberar chaves eletrônicas ou ativar serviços vinculados ao imóvel, como internet ou energia temporária.
Documentos e cartórios
Atos que hoje exigem cartório podem ser automatizados com contratos que registram a assinatura digital e publicam prova de existência em um registro público validado por autoridades competentes.
Seguros e indenizações
Em sinistros simples, oráculos externos (dados verificados) podem confirmar eventos — por exemplo, colisão ou atraso de voo — e liberar o pagamento da indenização sem necessidade de perícia manual em muitos casos.
Crédito e concessão automática
Em operações de crédito, regras pré-estabelecidas liberam parcelas conforme metas, garantias ou comportamento de pagamento. Isso acelera empréstimos para empresas e consumidores com risco controlado.
Benefícios e tributos automatizados
Programas sociais podem ter regras de uso condicionadas (direcionamento para compras essenciais). Tributos podem ser retidos automaticamente em operações financeiras programadas, reduzindo erros e atraso na arrecadação.
Cadeia de suprimentos
Pagamentos entre fornecedores e compradores podem ser acionados quando sensores ou documentos comprovam a entrega. Isso reduz disputa sobre prazos e melhora o fluxo de caixa.
Microtransações e IoT
Dispositivos conectados podem acionar pagamentos por uso, como cobrança por quilômetro rodado, energia consumida ou minutos de máquina, tudo por contratos automáticos.
Requisitos técnicos e legais
Para funcionar, é preciso oráculos confiáveis, identidade digital, interoperabilidade entre sistemas e regras legais que reconheçam efeitos jurídicos do contrato. Proteção de dados conforme a LGPD e mecanismos de auditoria são essenciais.
Boas práticas para implementação
- Definir cláusulas claras e testáveis.
- Usar oráculos auditáveis e redundantes.
- Limitar dados pessoais armazenados nos contratos.
- Implementar revisão legal e fallback humano para disputas.
- Realizar testes e auditorias de segurança antes do lançamento.
Onde o Drex vai estrear: foco inicial em bancos e crédito

O Drex deve estrear primeiro nos bastidores do sistema financeiro, com foco em bancos, mercados e infraestrutura de crédito. A versão inicial pode não ser uma carteira pública; será um instrumento técnico para liquidação entre instituições.
Por que começar pelos bancos e crédito?
Bancos já fazem a maioria das grandes transferências e liquidações. O Drex facilita a liquidação instantânea de operações de mercado, reduz custo de compensação e melhora o gerenciamento de reservas. Testar com instituições evita impacto direto ao público enquanto problemas são corrigidos.
Casos de uso práticos na fase inicial
- Liquidação interbancária: transferências finais em tempo real entre bancos, reduzindo risco de contraparte.
- Infraestrutura de crédito: concessão e liquidação de empréstimos com automações para garantias.
- Mercado de capitais: liquidação de títulos e operação de reservas de liquidez.
- Reconciliação e contabilidade: registros padronizados que simplificam auditoria e conciliação entre instituições.
- Operações em backstage: sistemas que rodam por trás das contas do cliente para reduzir custos operacionais.
Benefícios esperados para bancos e fintechs
Redução de custos com liquidação, menor necessidade de capital de reserva, automação de liquidações e maior velocidade nas operações. Fintechs podem usar a camada técnica para oferecer produtos mais rápidos sem transformar o Banco Central no provedor direto ao consumidor.
Impacto para o consumidor no curto prazo
Na primeira fase, o usuário final pode não ver mudanças imediatas. Serviços como Pix permanecem centrais. Com o tempo, clientes podem ganhar transferências mais rápidas entre contas e produtos de crédito com liquidação automatizada.
Desafios e riscos técnicos
- Integração entre sistemas legados dos bancos.
- Segurança cibernética e proteção de dados.
- Governança para autorizar consultas e auditorias.
- Risco operacional se houver falhas em massa.
Requisitos regulatórios e de governança
É preciso alinhar LGPD, sigilo bancário e regras do Banco Central. A governança deve definir quem vê o quê e quando, e criar monitoramento para evitar acessos indevidos.
O que as instituições devem fazer agora
- Participar de testes e ambientes de homologação do Banco Central.
- Atualizar APIs e processos internos para interoperabilidade.
- Adotar políticas de privacidade e segurança por design.
- Planejar contingências e formas de fallback em caso de pane.
Essa fase inicial visa maturar tecnologia e processos antes de abrir o Drex ao público geral, minimizando impactos e testando benefícios no uso financeiro profissional.
Impacto para bancos, fintechs e intermediários
O Drex altera processos internos e modelos de negócio de bancos, fintechs e intermediários. Ele cria novas oportunidades operacionais, mas também exige adaptação em tecnologia, governança e compliance.
Redução de custos e eficiência
A liquidação instantânea e padronizada reduz custos de reconciliação e diminui o capital imobilizado para garantias. Processos manuais tornam-se menos frequentes e a automação melhora a velocidade de operações.
Novos modelos de receita
Fintechs podem oferecer serviços de valor agregado sobre a infraestrutura do Drex, como carteiras digitais, serviços de escrow e APIs para contratos inteligentes. Bancos podem monetizar infraestrutura e serviços de custódia.
Integração tecnológica
É necessário atualizar APIs, middleware e sistemas legados para operar com tokens, notificações em tempo real e padrões de mensagem padronizados. Interoperabilidade entre participantes será essencial.
Riscos operacionais e segurança
Com maior velocidade e centralização, falhas técnicas ganham impacto imediato. Proteção contra fraudes, ataques cibernéticos e controles de acesso devem ser reforçados.
Compliance e requisitos regulatórios
Participantes precisarão seguir regras de LGPD, sigilo bancário e normas do Banco Central. Auditorias, logs imutáveis e trilhas de acesso são exigências prováveis.
Parcerias e competição
Bancos e fintechs tendem a formar parcerias: bancos fornecem liquidez e infraestrutura; fintechs entregam experiência e produtos. Ao mesmo tempo, há competição por clientes finais e soluções integradas.
Impacto na experiência do cliente
Clientes podem ganhar transações mais rápidas, novos produtos de crédito e serviços automatizados. Porém, a melhor experiência depende da usabilidade das interfaces e da confiança em privacidade.
Operações de backoffice
Controles contábeis, conciliações e relatórios fiscais ficam mais simples com registros padronizados. Sistemas de backoffice precisarão se adaptar a eventos em tempo real e a novas regras de liquidação.
Preparação recomendada
- Mapear processos que serão automatizados pelo Drex.
- Atualizar infraestruturas e testar APIs em ambientes controlados.
- Fortalecer controles de segurança e planos de contingência.
- Revisar contratos e modelos de negócio para novas fontes de receita.
- Garantir governança clara sobre acesso e uso dos dados.
Riscos de controle estatal e possíveis restrições de uso

O uso do Drex pode dar ao Estado ferramentas diretas para controlar quem paga, recebe ou acessa fundos. Essa capacidade levanta riscos concretos à liberdade individual e ao funcionamento econômico.
Formas de controle possíveis
Autoridades podem bloquear contas, restringir tipos de gasto ou impor condições de uso automaticamente. Medidas administrativas ou ordens judiciais podem ser executadas rapidamente, sem necessidade de ações manuais demoradas.
Exemplos práticos de restrição
- Bloqueio de transferências de determinado grupo por deliberação administrativa.
- Imposição de limites de gasto em horários ou locais específicos.
- Retenção automática de valores para multas ou tributos sem notificação prévia.
- Proibição de compras em categorias definidas por lei ou regulamento.
Riscos para a democracia e direitos
Pedidos de bloqueio excessivos ou uso político dessa infraestrutura podem atingir dissidentes, movimentos sociais ou opositores. A centralização facilita censura econômica e ações que limitam direitos civis.
Vulnerabilidades de abuso
Decisões mal fundamentadas, vazamentos de credenciais ou normas amplas podem autorizar acessos indevidos. Também há o risco de mudança normativa futura que amplie poderes já disponíveis.
Implicações econômicas
Intervenções frequentes podem reduzir confiança no sistema, aumentar evasão por vias alternativas e enfraquecer a inclusão financeira. Empresas podem sofrer prejuízos por restrições repentinas a contas e pagamentos.
Mecanismos de proteção técnica e legal
- Exigir ordem judicial clara para bloqueios individuais.
- Limitar escopo temporal e objetivo das medidas administrativas.
- Adotar auditorias públicas e registros de acesso com prova de integridade.
- Implementar protocolos de privacidade e minimização de dados.
- Prever apelação e revisão independente de decisões automáticas.
Papel da transparência e governança
Governança clara e transparência sobre critérios de bloqueio reduzem riscos. Participação de órgãos independentes, sociedade civil e setor privado ajuda a criar salvaguardas.
Alternativas e redundâncias
Manter meios de pagamento offline e preservar uso de moeda física em situações específicas funciona como redundância. Também é útil permitir soluções privadas seguras que interoperem com o sistema público.
Como usuários e empresas devem responder
- Verificar políticas de proteção e transparência dos provedores de carteira.
- Adotar práticas de segurança forte para chaves e credenciais.
- Exigir garantias contratuais sobre acesso a dados e bloqueios.
Segurança cibernética: vulnerabilidades e prevenção
Segurança cibernética é crítica para o Drex: ataques podem comprometer fundos, dados e confiança no sistema. Conhecer as vulnerabilidades ajuda a definir defesas práticas e eficazes.
Vulnerabilidades comuns
- Roubo de credenciais: senhas fracas e phishing permitem acesso indevido a contas e carteiras.
- Comprometimento de chaves privadas: se chaves forem expostas, fundos podem ser transferidos sem autorização.
- Falhas em APIs e integrações: sistemas legados e APIs mal protegidas abrem portas para invasões.
- Vulnerabilidades em contratos inteligentes: bugs lógicos podem ser explorados para drenar valores ou alterar regras.
- Ataques à infraestrutura: DDoS e invasões em data centers ou provedores podem interromper liquidações.
- Ameaças internas: funcionários com privilégios excessivos podem causar fraudes ou vazamento de dados.
- Risco de oráculos e terceiros: dados externos manipulados podem acionar pagamentos indevidos.
Medidas técnicas de prevenção
- Implementar autenticação multifator (MFA) e gestão segura de credenciais.
- Usar HSMs e módulos seguros para armazenar chaves privadas e assinar transações.
- Aplicar criptografia em trânsito e em repouso para proteger dados sensíveis.
- Projetar APIs com limites de taxa, validação rígida e autenticação forte.
- Adotar testes de segurança: pentests, análise estática e dinâmica de código.
- Realizar auditorias independentes de contratos inteligentes e infraestruturas DLT.
- Implementar sistemas de detecção de anomalias e monitoramento em tempo real.
Governança e processos
Políticas claras reduzem risco. Segregar funções, manter logs imutáveis e controlar acesso por níveis é essencial. Planos de resposta a incidentes e exercícios de crise preparam equipes para recuperação rápida.
Proteção de dados e conformidade
Cumprir a LGPD e regras de sigilo bancário exige minimização de dados, retenção definida e processos para solicitações legais. Auditorias e relatórios ajudam a demonstrar conformidade.
Boas práticas para instituições
- Implementar princípios de «security by design» desde a arquitetura.
- Ter redundância e planos de continuidade para evitar perda de serviço.
- Controlar fornecedores e exigir SLAs e avaliações de segurança.
- Manter programas de treinamento e conscientização para equipes e usuários.
Cuidados que os usuários devem ter
- Usar senhas fortes e habilitar MFA em contas financeiras.
- Desconfiar de links e comunicações não solicitadas (phishing).
- Preferir provedores que expliquem como armazenam e protegem chaves.
- Atualizar dispositivos e apps para reduzir risco de exploração.
Preparação para incidentes
Mapear ativos críticos, definir responsáveis e criar playbooks de resposta. Notificar reguladores quando aplicável e manter transparência controlada para preservar confiança.
Tributação automatizada e a possível eliminação de declarações

Drex permite que tributos sejam calculados e retidos automaticamente no momento da transação. Isso reduz a necessidade de enviar declarações manuais para muitos tipos de operação, pois o imposto pode ser cobrado na fonte.
Como funcionaria na prática
Ao pagar por um serviço ou vender um ativo, o sistema identifica a operação, aplica a alíquota correta e retém o valor devido antes da conclusão. O registro automático gera comprovante digital instantâneo para comprador, vendedor e fisco.
Exemplos práticos
- Venda de ações: imposto sobre ganho de capital retido automaticamente no momento da venda.
- Marketplace: plataforma retém tributo sobre a comissão de venda e repassa ao fisco.
- Serviços autônomos: retenção simplificada similar ao imposto na fonte, com recibo digital.
Benefícios esperados
- Menos burocracia para o contribuinte comum.
- Redução da sonegação por rastreabilidade das transações.
- Arrecadação mais eficiente e em tempo real.
- Menor custo com contabilidade e declaração anual para muitos casos.
Riscos e desafios
- Erros automáticos podem reter valores indevidos sem aviso imediato.
- Dificuldade de contestar cobranças se não houver mecanismo claro de revisão.
- Potencial para decisões administrativas amplas que afetem direitos sem processo adequado.
- Exposição de dados fiscais sensíveis se controles de acesso forem falhos.
Garantias legais e transparência
É essencial que regras sobre retenção e acesso a dados sejam claras por lei. A LGPD e normas de sigilo bancário precisam ser observadas. Devem existir processos de contestação, prazos de devolução e logs públicos sobre ações administrativas.
Requisitos técnicos
- Integração entre carteiras Drex, sistemas de pagamento e base fiscal.
- Registros imutáveis que comprovem cálculo e retenção.
- Mecanismos de notificação ao usuário com comprovante legível.
- APIs para contestação, estorno e auditoria por terceiros autorizados.
Medidas de transição
Fases piloto com operações de baixo risco ajudam a ajustar regras. Limites e exceções podem ser aplicados inicialmente, preservando declarações manuais enquanto o sistema se estabiliza.
O que contribuintes e empresas devem fazer
- Preparar sistemas contábeis para integração em tempo real.
- Exigir transparência sobre regras de cálculo e retenção.
- Treinar equipe para lidar com devoluções e disputas automatizadas.
- Conservar comprovantes digitais e auditar operações regularmente.
Questões abertas
A eliminação completa de declarações depende de decisões políticas, limites legais e garantias técnicas. Mesmo com retenção automática, auditorias e declarações pontuais provavelmente continuarão para casos complexos.
Legislação, prazos e o que esperar até 2026
A base legal do projeto já existe: a PLP 80/2023 autorizou o Banco Central a criar e regular o Drex, enquanto a PEC 65/2023 abriu espaço legal para contratos inteligentes. Em 2024, a PL 3341/2024 trouxe regras que limitam a extinção do papel-moeda. Esses atos formam o arcabouço inicial, mas normas detalhadas ainda dependem de regulamentação complementar.
Prazos e expectativas até 2026
O Banco Central realizou testes desde 2023 e ampliou pilotos em 2024 e 2025. A previsão oficial aponta para uma operação inicial em 2026, em versão simplificada e voltada a infraestrutura de bancos e crédito, não a uma carteira pública imediata.
Fases previstas
- Fase de testes: ambientes controlados com bancos, corretoras e participantes de mercado.
- Fase de integração: padronização de APIs, mensagens e protocolos entre instituições.
- Operação backstage (2026): uso restrito para liquidação e infraestrutura financeira.
- Abertura gradual ao público: depende de resultados técnicos, jurídicos e de segurança.
Regulação técnica e padrões
Regulamentações vão definir se o Drex usa DLT permissionada, sistema centralizado ou modelo híbrido. Também serão publicados padrões de interoperabilidade, formatos de mensagem, requisitos de segurança e auditoria, e normas para oráculos e contratos inteligentes.
Proteção de dados e sigilo
O projeto deve seguir a LGPD e regras de sigilo bancário. Normas vão precisar estabelecer limites claros sobre quem pode acessar registros, quando e mediante quais garantias processuais.
Governança e transparência
Esperam-se exigências de governança: registros de acesso, auditorias independentes, comissões técnicas e transparência sobre critérios de bloqueio e retenção de dados. A participação de órgãos de controle e sociedade civil deve ser estimulada.
Requisitos para participantes
- Certificações de segurança e conformidade.
- APIs compatíveis com padrões do Banco Central.
- Planos de continuidade e respostas a incidentes.
- Políticas de governaça de dados e segregação de funções.
Impacto legislativo futuro
O Congresso pode revisar ou ampliar poderes, definir limites para controles administrativos e criar salvaguardas processuais. Mudanças legislativas são determinantes para o alcance das funções programáveis do Drex.
Riscos regulatórios e jurídicos
Ambiguidades podem gerar insegurança jurídica. A falta de regras sobre contestação de retenções, uso de dados e limites de programação aumenta riscos. Decisões judiciais também podem moldar o uso prático do sistema.
Como governos e reguladores devem agir
- Publicar consultas públicas e estudos de impacto antes de normas finais.
- Definir requisitos mínimos de privacidade e devido processo para bloqueios.
- Promover testes abertos com participação de academia e sociedade civil.
O que esperar como cidadão e empresa
Até 2026, espere mais pilotos, normas técnicas e comunicação do Banco Central. Empresas e bancos devem preparar infraestrutura e compliance. Cidadãos devem acompanhar regras de privacidade e direitos de contestação.
Passos práticos para se preparar
- Atualizar sistemas para APIs e registros em tempo real.
- Reforçar políticas de proteção de dados e auditoria.
- Participar de consultas e pilotos, quando possível.
- Manter backups e canais alternativos de pagamento.
Pontos ainda em aberto
Permanecem dúvidas sobre escopo público, grau de programabilidade permitido, limites de intervenção estatal e regras de interoperabilidade internacional. Esses pontos serão definidos por regulamentações e pelo debate público nos próximos anos.
Conclusão
O Drex promete modernizar pagamentos e operações financeiras, com liquidação mais rápida e contratos automáticos. Ao mesmo tempo, aumenta a rastreabilidade e gera riscos reais à privacidade.
Na fase inicial prevista para 2026, o foco será infraestrutura entre bancos e crédito, não a carteira pública. Isso permite testes controlados, mas exige vigilância sobre governança e segurança.
Para reduzir riscos é essencial proteger dados, fortalecer segurança cibernética e criar regras legais claras sobre acesso e contestação. Transparência e auditorias independentes devem acompanhar o avanço.
Consumidores, empresas e reguladores precisam se preparar: participar de consultas, atualizar sistemas e exigir salvaguardas. Com regulamentação adequada, o Drex pode trazer ganhos práticos sem abrir mão de direitos fundamentais.
FAQ – Perguntas frequentes sobre Drex e o real digital
O que é o Drex?
O Drex é uma versão digital do real emitida e validada pelo Banco Central, projetada para operações eletrônicas rastreáveis e programáveis.
Em que o Drex difere do Bitcoin?
Ao contrário do Bitcoin, o Drex é centralizado e controlado pelo Banco Central, tem valor estável atrelado ao real e permite maior rastreabilidade.
O Drex vai acabar com o dinheiro em espécie?
Não necessariamente; há propostas e leis que protegem a circulação do papel‑moeda, e a eliminação total dependeria de decisões futuras e debate público.
Como o Drex afeta minha privacidade financeira?
O Drex tende a aumentar a rastreabilidade das transações, o que pode reduzir o anonimato; salvaguardas legais e técnicas serão essenciais para proteger dados.
Quando o Drex deve começar a operar para o público?
A previsão é que uma versão técnica comece a operar em 2026 focada em infraestrutura entre bancos e crédito; abertura ao público depende de testes e regulamentação.
O que posso fazer para proteger meu uso do Drex?
Escolha provedores confiáveis, habilite autenticação forte, acompanhe políticas de privacidade, guarde comprovantes digitais e mantenha dispositivos atualizados.